Acho que essa noite fiz algo que devia a mim há séculos: Fui
franca comigo mesma. Não neguei, não criei dramas e muito menos assumi o papel
de pobre e mísero ser humano que não sou. Hoje rompi as barreiras de mim mesma. Me vi por outro
ângulos, outras formas.
O que de mais incrível pude reparar, é que as palavras não
cabem em frases. Essas malditas não cabem em lugar algum. Pessoas e mais
pessoas tentam atribuir significados ao que não pode e não deve ser descrito
através delas. Porque, no fundo, sabemos que essas desgraçadas não servem para
nada.
Nós não queremos ter pessoas, queremos palavras para
justificar o querer. Queremos mostrar o que está por dentro e não pode vir à
tona. Essas ordinárias são a exposição da pior forma que pode existir. São a nudez do
pensamento.
Apesar das insuficientes letras em que insistimos atribuir
significado, continuamos a emitir as inúteis palavras. Mas que elas rompam barreiras, ultrapassem ignorâncias e mudem
o imutável. Que de inúteis sílabas surja o conhecimento. Que uma ou duas meras palavras
possam ser o que não podemos ser.
Que o que há de melhor em mim vá além de obstáculos, aparente beleza e
personalidades mediocremente interessantes. Pois através de tudo o que eu sentia nasceu a
palavra, e dela surgiu tudo o que sempre desejei tornar palavra.
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