sexta-feira, 24 de agosto de 2012

5 dias de domingo


Crônica feita hoje para minha aula de técnicas de comunicação.

Queria começar esse texto contando algo divertido que tivesse acontecido comigo nessa semana. Contudo, como transformar algo decepcionante em relativamente engraçado? Alguns diriam que isso é praticamente impossível, outros achariam graça só pelo fato da desgraça ter acontecido com outra pessoa (ah, diariamente me deparo com a desgraça pelos corredores da minha adorada faculdade).

Começarei então fazendo um breve resumo da minha semana: Passei belos cinco dias úteis deprimida e ouvindo The Smiths (uso recorrentemente a palavra “deprimida” como algo genérico, não sofro necessariamente de algum transtorno que me faça constantemente triste e cabisbaixa). O que mais me irrita nesses dias nublados é a alegria exagerada das outras pessoas. Por que todo mundo tem a obrigação de ser feliz o tempo todo? Você não pode passar em paz por um dia ruim, que logo perguntam o que aconteceu. Quando a resposta que se dá é “prefiro não falar sobre isso, depois eu melhoro”, conclusões precipitadas são logo tiradas. “Mas nós somos amigas!” ou “pensei que você confiasse em mim” foram duas frases desnecessariamente ouvidas ao longo desse final de agosto. Então, creio que esse pequeno texto trate-se de um apelo: Deixem as pessoas viverem a fossa delas em paz!

Ser diariamente sorridente e de bem com a vida é algo extremamente irritante para aqueles, que como eu, eventualmente acordam de mau humor. “Sorria, você está sendo filmado” é uma ótima frase para elevadores, mas não a leve tão a sério. 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Mau humor


Acho que ouço diariamente alguém dizer "Raíssa, você é muito dramática, deixa disso". Mas encarecidamente peço que me digam por que a vida insiste em jogar as coisas na minha cara da pior maneira possível. Se for pra dar errado, não dá simplesmente errado. O destino, a vida, os astros, qualquer merda do tipo, conspira para que tudo aconteça da pior forma. 

É exagero? Vou lhes contar uma história banal do dia-a-dia. Geralmente eu saio de casa atrasada para a faculdade (não importa se eu acordo cedo, programo a roupa que vou vestir ou saio até mesmo sem comer, acabo saindo atrasada). Me desloquei até o ponto do 439, ônibus de ótima categoria, nunca é quente demais e muito menos cheio, como um bom exemplo de transporte público do Rio de Janeiro, e saltei no meu ponto. Após ficar quase 40 minutos em pé dentro de uma lata de sardinha abafada pelo calor infernal carioca, saio do ônibus como quem pisa em terra firme pela primeira vez em anos. E... Dou a topada do ano numa pedra! Eu estava de rasteirinha, foi a 1ª vez no ano em que saí de rasteirinha. Ah, era um dos meus primeiros dias de aula na faculdade e eis que chego com o pé sangrando. Uma história banal, não acham? Mas infelizmente esses fatos corriqueiros estão carregados de certo drama pessoal e apelo ao meu pessimismo.

 Quando acontecem coisas do tipo com outras pessoas, talvez elas não tenham essa cara. Talvez outra pessoa topasse o dedão na pedra e falasse "como sou idiota, vivo me machucando kakakaaka". Porém, quando se trata de um dos meus comentários, é normal ouvir: "Droga de dia. A porcaria do meu dedão ta sangrando, fiquei menstruada hoje de manhã, perdi o ônibus e ainda to com essa droga de blusa que furou vindo pra cá. Merda de dia. Tem tylenol? Minha cabeça começou a doer”.

O lado bom é que isso acrescenta algum humor a vida bonitinha em que tudo dá certo daquele meu amigo que gosta de me zoar. E se eu não acrescentei nada? Meu dia ta muito ruim para ainda me dar o trabalho de lhe agradar.

domingo, 19 de agosto de 2012

Palavras não formam bons títulos


Como já disse anteriormente, e agora tenho a plena capacidade de repetir, se palavras fossem suficientes seriam quaisquer coisas, menos palavras. Delas surgiriam qualquer combinação, menos fonemas, letras ou variantes. Se palavras fossem o suficiente, não se chamariam palavras.

Hoje dormirei com o cheiro que não é meu. Que, na verdade, nunca foi e nunca será. Hoje, das minhas incertezas surgiu o que sempre soube. Salgadas foram as minhas palavras, tal como as minhas lágrimas.

Por que esperar o certo da incerteza que nem ao menos cabe a mim? Mas mesmo assim ainda sinto a pendência dentro da minha sempre inquieta alma. Seria eu o assombramento de meus piores pesadelos? Ou seria eu apenas um ser humano tentando buscar felicidade na incerteza?

Tenho uma breve teoria de que o incerto não existe. No fundo, temos completa certeza daquilo que queremos. Se há dúvida, ela se faz porque achamos que podemos querer outra coisa.
Mas, quem quer ser outra coisa de um alguém? Ninguém que tenha o mínimo de amor próprio. Ninguém quer fazer parte de uma incerteza.

“E se eu for o primeiro a prever e poder desistir do que for dar errado?"
Aí, não poderei ser eu. Não estarei na função de ser humano. Pois, a nós, cabe a função de errar, errar mais uma vez e depois aprender alguma coisa. A nós, cabe o destino de estar completamente imerso ao que pode, e muitas vezes deve dar errado.
Tudo começa com um prazo de validade, porém algumas coisas são fadadas ao fracasso.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Psiquê e Eros



Dentre tantas histórias que eu amo e fazem parte da mitologia grega, a de Eros e Psiquê é de longe a minha preferida.
E Psiquê, pode até fazer um monte de bobagens no seu caminho para conquistar Eros , mas acho que ela representa muito o que o ser humano é. Pois ela erra, sofre, tenta se corrigir, ouve até mesmo os conselhos de outros para tentar alcançar sua tão sonhada felicidade ao lado de seu amado. E por mais que esteja sempre caindo e até mesmo pensando em desistir da vida, toma seu sofrimento como impulso para prosseguir.
Acredito que um personagem assim não tenha saído na imaginação de um povo, mas seja uma representação do que somos e do que tentamos fazer para dar sentido a nossas vidas.  E por mais rica em personagens que a mitologia grega seja, Psiquê sempre será a minha preferida.

Aqui vai um trecho que eu acho muito interessante sobre o significado do nome "psiquê":
"Em grego 'psiquê' significa tanto 'borboleta' como 'alma'. Uma alegoria a imortalidade da alma, como a borboleta que depois de uma vida rastejante como lagarta, flutua na brisa do dia e torna-se um belo aspecto da primavera. É considerada a alma humana purificada pelos sofrimentos e preparada para gozar a pura e verdadeira felicidade."

A história para aqueles que não a conhecem: http://www.angelfire.com/la/psique/mito.html

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Palavras pequenas.


Acho que essa noite fiz algo que devia a mim há séculos: Fui franca comigo mesma. Não neguei, não criei dramas e muito menos assumi o papel de pobre e mísero ser humano que não sou. Hoje rompi as barreiras de mim mesma. Me vi por outro ângulos, outras formas.

O que de mais incrível pude reparar, é que as palavras não cabem em frases. Essas malditas não cabem em lugar algum. Pessoas e mais pessoas tentam atribuir significados ao que não pode e não deve ser descrito através delas. Porque, no fundo, sabemos que essas desgraçadas não servem para nada.

Nós não queremos ter pessoas, queremos palavras para justificar o querer. Queremos mostrar o que está por dentro e não pode vir à tona. Essas ordinárias são a exposição da pior forma que pode existir. São a nudez do pensamento.

Apesar das insuficientes letras em que insistimos atribuir significado, continuamos a emitir as inúteis palavras. Mas que elas rompam barreiras, ultrapassem ignorâncias e mudem o imutável. Que de inúteis sílabas surja o conhecimento. Que uma ou duas meras palavras possam ser o que não podemos ser.

Que o que há de melhor em mim vá além de obstáculos, aparente beleza e personalidades mediocremente interessantes. Pois através de tudo o que eu sentia nasceu a palavra, e dela surgiu tudo o que sempre desejei tornar palavra.