Sei bem que a expressão “acordar com o pé esquerdo” é usada para
caracterizar um dia em que tudo dá errado. Enviarei
futuramente uma sugestão para a Academia Brasileira de Letras para que haja uma
graduação dessa comum expressão, como se fosse uma espécie de grau superlativo.
Eu poderia sugerir algo como “Estamos operando para o melhor funcionamento do
seu lado direito hoje, por favor, aguarde e enquanto isso utilize todo o seu
lado esquerdo, assim, tudo dará errado e você terá um péssimo dia. Obrigado,
cérebro”. Creio que esse termo seriado mais adequado em dadas situações do
cotidiano. Por exemplo, criem uma imagem hipotética, (apenas hipotética, não
necessariamente teria que acontecer na vida real – mentira) de semana de provas
e acrescentem falta de luz, brigas, trânsito caótico, fila do elevador, 6
andares de escada para serem desbravados com pouca propensão para atividades
físicas e abordagem de professores no banheiro. Pronto, bem-vindos a uma
terça-feira chuvosa em que tudo, ou quase tudo deu errado.
Acho que depois de
finalmente ter conseguido cumprir com meus objetivos e tarefas, devo ter tido alguma
uma espécie de sobrecarga de adrenalina, se é que isso existe. No mundo em que
a única questão que não pode cair na prova cai mesmo assim, que chove e te
deixa com frio na Sibéria carioca vulgarmente chamada de Gávea, que a alergia
ataca e te torna mais nervosa; ainda existe finais de tarde magníficos capazes de
fazer tudo evaporar, tal como a água na chuva que a pouco havia inundado o
meu dia.
Finais de tarde na Lagoa, em que o Sol te abraça, o ônibus
demora a passar e o modo aleatório do ipod escolhe as melhores músicas
possíveis, te fazem ver que a vida não é um emaranhado drama mexicano e andares
infinitos a serem subidos de escada. A vida também é ‘let it be’ no ônibus
cheio. E te diz, como na canção, palavras de sabedoria sobre deixar as coisas
como estão e aproveitar a viagem de volta pra casa.