sábado, 14 de julho de 2012

Platonismo de uma noite


Se indícios bastassem e fossem satisfatórios, eu me apegaria a eles. Sem o drama cotidiano, o desamor que o tempo provoca e o desgaste da vida. Me satisfaria com o que pareceu ser, o amor platônico momentâneo. Pois, quem verdadeiramente ama, se o faz corretamente, é à distância. Sem o sentimento de posse. É a fuga do real. Tentativa de transcender o espírito humano egoísta.
Então, o que valeria mais, um dia incrível ou uma vida de acomodado casal?
Ou seria o medo do desgaste apenas uma desculpa para aquilo que não se tem coragem de fazer? A respeito disso, não sou eu, o ser humano com mais problemas em relacionamentos que responderei. A respeito disso, o tempo, como bom e velho clichê, poderá garantir boas respostas.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Nada.
   Consegue imaginar a sua vida cercada por uma imensidão de nada?
   Apesar dos afazeres cotidianos e "obrigações", sinto minha vida sendo cada vez mais preenchida pelo vazio. Pela vontade de tornar o que eu vivo, sinto e penso em algo extraordinário. Apenas pela vontade. No fundo, está tudo oco. 
Há armários, despensas, prateleiras, quartos desocupados, tudo dentro da casa que chamo por "eu". Porém, não há habitantes. Há hospedeiros, passageiros. Temporários. Se dizem que na vida o que temos de mais importante é o tempo, digo então que dele estou farta. Cheia da espera que nunca acaba, dos moradores que nunca vêm. Completa e totalmente preenchida de tempo. Que não é gasto da maneira que preciso. Que se vai da na mesma rapidez em que vem.
Cheia de tempos, vazia de vida.

segunda-feira, 9 de julho de 2012


"É injusto que se apeguem a mim, embora o façam com prazer e voluntariamente. Eu iludiria aqueles em quem despertasse desejo, pois não sou o fim de ninguém e não tenho com o que satisfazê-Ios. Não estou eu pronto a morrer? E, assim, o objeto do apego dessas pessoas morrerá. Logo, quando não seria eu culpado por fazer crer numa falsidade, embora eu a adoçasse e acreditasse nela com prazer, e que ela me desse prazer, ainda assim sou culpado de me fazer amar. E, se atraio as pessoas para que se apeguem a mim, devo advertir aqueles que estariam prontos a consentir na mentira de que não devem acreditar, qualquer que seja a vantagem que daí me advenha."
BLAISE PASCAL