A
maioria das pessoas que dizem estar perdendo o controle de suas próprias vidas
ou são velhas, ou frustradas ou os dois. A ideia de 'eu só vivo a rotina, nada
a mais, nada a menos que isso' me parece algo voltado apenas para quem não
gosta lá muito de viver. Mas e quando essa experiência exterior a você se torna
algo pessoal? Eu sei que esse sentimento de inutilidade perante o mundo não é
algo particular, mas a maneira que você age em relação a ele é.
Acordar,
comer, manter conversas pouco agradáveis, estudar, pegar ônibus lotado, ouvir as
mesmas bandas... Todos os dias são exatamente assim. É tão mais fácil
simplesmente continuar fazendo as coisas! Como disse um dos meus trocentos
professores da faculdade, 'rotina é algo que deu certo e por isso repetimos'.
Mas e o que pode dar certo e não está claro e explícito? Por que somos tão
aversos a mudanças?
Nunca
acreditei muito nas leis da física. Aliás, acho Newton um dos caras que mais
ferrou com a minha vida (pior até que os meus ex-peguetes do mal). Mas, preciso
mesmo com toda a minha ignorância no que diz respeito as leis da física,
concordar com esse bastardo maldito. Inércia - é sobre isso que esse pequeno texto se trata.
A maneira como precisamos de um ‘empurrãozinho’ para nos movimentarmos, porque
senão não saímos da velocidade nula é uma das verdades que Newton, um cientista
natural, notou e que se aplica muito mais as ciências socias. Ou estamos em
contínuo movimento impulsionado por forças além de nós, ou ficamos na estaca
zero.
E
aí surge a problemática do movimento incansavelmente repetitivo. E a tendência
é piorar. A não ser que você seja um daqueles chatos extremamente meticulosos e
apegados a mesmices, e goste disso. Em um certo ponto tenho uma característica
em comum com essas pessoas, sou bem chata (Já que nunca me comprometi a ser uma
pessoa mais legal e melhor no meu círculo social, que assim seja. Sou chata e
com muito orgulho disso). Parênteses à parte, a rotina de todo não me agrada
muito. Também, difícil encontrar algo que me agrade completamente. Enfim, o que quero dizer é que as rédeas das
nossas vidas não podem estar completamente fora do nosso alcance. O desejo de
mudança é, geralmente, acompanhado de receio. Mas é bom desconfiar das coisas,
do futuro, das ações...
Costumo
dizer que pessoas sem dúvidas e firmadas em verdades absolutas morreram e ainda
não têm a consciência desse triste fato. Dúvida, o combustível para a mudança.
O pior inimigo da ignorância. Duvidar faz bem, é saudável e altamente
recomendado (por mim). Aproveitem o fato de sermos humanos e termos o benefício
da não certeza e inquietação. Pobres são aqueles que desfrutam da paz que só as
verdades absolutas proporcionam.
(Não me responsabilizo por eventuais erros nas minhas menções sobre física, eu curso jornalismo)
(Não me responsabilizo por eventuais erros nas minhas menções sobre física, eu curso jornalismo)