quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sobre a certeza da incerteza


A maioria das pessoas que dizem estar perdendo o controle de suas próprias vidas ou são velhas, ou frustradas ou os dois. A ideia de 'eu só vivo a rotina, nada a mais, nada a menos que isso' me parece algo voltado apenas para quem não gosta lá muito de viver. Mas e quando essa experiência exterior a você se torna algo pessoal? Eu sei que esse sentimento de inutilidade perante o mundo não é algo particular, mas a maneira que você age em relação a ele é.
Acordar, comer, manter conversas pouco agradáveis, estudar, pegar ônibus lotado, ouvir as mesmas bandas... Todos os dias são exatamente assim. É tão mais fácil simplesmente continuar fazendo as coisas! Como disse um dos meus trocentos professores da faculdade, 'rotina é algo que deu certo e por isso repetimos'. Mas e o que pode dar certo e não está claro e explícito? Por que somos tão aversos a mudanças?
Nunca acreditei muito nas leis da física. Aliás, acho Newton um dos caras que mais ferrou com a minha vida (pior até que os meus ex-peguetes do mal). Mas, preciso mesmo com toda a minha ignorância no que diz respeito as leis da física, concordar com esse bastardo maldito. Inércia -  é sobre isso que esse pequeno texto se trata. A maneira como precisamos de um ‘empurrãozinho’ para nos movimentarmos, porque senão não saímos da velocidade nula é uma das verdades que Newton, um cientista natural, notou e que se aplica muito mais as ciências socias. Ou estamos em contínuo movimento impulsionado por forças além de nós, ou ficamos na estaca zero.  
E aí surge a problemática do movimento incansavelmente repetitivo. E a tendência é piorar. A não ser que você seja um daqueles chatos extremamente meticulosos e apegados a mesmices, e goste disso. Em um certo ponto tenho uma característica em comum com essas pessoas, sou bem chata (Já que nunca me comprometi a ser uma pessoa mais legal e melhor no meu círculo social, que assim seja. Sou chata e com muito orgulho disso). Parênteses à parte, a rotina de todo não me agrada muito. Também, difícil encontrar algo que me agrade completamente.  Enfim, o que quero dizer é que as rédeas das nossas vidas não podem estar completamente fora do nosso alcance. O desejo de mudança é, geralmente, acompanhado de receio. Mas é bom desconfiar das coisas, do futuro, das ações...
Costumo dizer que pessoas sem dúvidas e firmadas em verdades absolutas morreram e ainda não têm a consciência desse triste fato. Dúvida, o combustível para a mudança. O pior inimigo da ignorância. Duvidar faz bem, é saudável e altamente recomendado (por mim). Aproveitem o fato de sermos humanos e termos o benefício da não certeza e inquietação. Pobres são aqueles que desfrutam da paz que só as verdades absolutas proporcionam.

(Não me responsabilizo por eventuais erros nas minhas menções sobre física, eu curso jornalismo)

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