quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Flores de cerejeira



"... Mas ainda que neste outono as folhas de cerejeira sejam tingidas de amarelo ou vermelho e acabem caindo, é errado pensar que com isso a própria vida da cerejeira tenha acabado, ou que a vida da própria cerejeira pereceu na imundície da terra. Enquanto existir vida da cerejeira, infalivelmente chega a primavera, ainda que todas as folhas fenomênicas tenham caído e a árvore apresente uma cena triste, desoladora. A verdadeira cerejeira não são as folhas, nem seu tronco. A verdadeira cerejeira é sua própria vida, invisível. Ainda que seu tronco e sua raiz acabem secando-se e sejam consumidos como lenha, enquanto existir a vida da cerejeira, em algum lugar ela tornará a brotar, desenvolver-se-ão seu tronco, ramos, folhas e um dia as flores voltaram a desabrochar magnificamente." (TANIGUCHI, M. - Jovens: A verdade - pg. 76)


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Quando o céu toca o chão


Sei bem que a expressão “acordar com o pé esquerdo” é usada para caracterizar um dia em que tudo dá errado. Enviarei futuramente uma sugestão para a Academia Brasileira de Letras para que haja uma graduação dessa comum expressão, como se fosse uma espécie de grau superlativo. Eu poderia sugerir algo como “Estamos operando para o melhor funcionamento do seu lado direito hoje, por favor, aguarde e enquanto isso utilize todo o seu lado esquerdo, assim, tudo dará errado e você terá um péssimo dia. Obrigado, cérebro”. Creio que esse termo seriado mais adequado em dadas situações do cotidiano. Por exemplo, criem uma imagem hipotética, (apenas hipotética, não necessariamente teria que acontecer na vida real – mentira) de semana de provas e acrescentem falta de luz, brigas, trânsito caótico, fila do elevador, 6 andares de escada para serem desbravados com pouca propensão para atividades físicas e abordagem de professores no banheiro. Pronto, bem-vindos a uma terça-feira chuvosa em que tudo, ou quase tudo deu errado.

 Acho que depois de finalmente ter conseguido cumprir com meus objetivos e tarefas, devo ter tido alguma uma espécie de sobrecarga de adrenalina, se é que isso existe. No mundo em que a única questão que não pode cair na prova cai mesmo assim, que chove e te deixa com frio na Sibéria carioca vulgarmente chamada de Gávea, que a alergia ataca e te torna mais nervosa; ainda existe finais de tarde magníficos capazes de fazer tudo evaporar, tal como a água na chuva que a pouco havia inundado o meu dia.

Finais de tarde na Lagoa, em que o Sol te abraça, o ônibus demora a passar e o modo aleatório do ipod escolhe as melhores músicas possíveis, te fazem ver que a vida não é um emaranhado drama mexicano e andares infinitos a serem subidos de escada. A vida também é ‘let it be’ no ônibus cheio. E te diz, como na canção, palavras de sabedoria sobre deixar as coisas como estão e aproveitar a viagem de volta pra casa.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sobre a certeza da incerteza


A maioria das pessoas que dizem estar perdendo o controle de suas próprias vidas ou são velhas, ou frustradas ou os dois. A ideia de 'eu só vivo a rotina, nada a mais, nada a menos que isso' me parece algo voltado apenas para quem não gosta lá muito de viver. Mas e quando essa experiência exterior a você se torna algo pessoal? Eu sei que esse sentimento de inutilidade perante o mundo não é algo particular, mas a maneira que você age em relação a ele é.
Acordar, comer, manter conversas pouco agradáveis, estudar, pegar ônibus lotado, ouvir as mesmas bandas... Todos os dias são exatamente assim. É tão mais fácil simplesmente continuar fazendo as coisas! Como disse um dos meus trocentos professores da faculdade, 'rotina é algo que deu certo e por isso repetimos'. Mas e o que pode dar certo e não está claro e explícito? Por que somos tão aversos a mudanças?
Nunca acreditei muito nas leis da física. Aliás, acho Newton um dos caras que mais ferrou com a minha vida (pior até que os meus ex-peguetes do mal). Mas, preciso mesmo com toda a minha ignorância no que diz respeito as leis da física, concordar com esse bastardo maldito. Inércia -  é sobre isso que esse pequeno texto se trata. A maneira como precisamos de um ‘empurrãozinho’ para nos movimentarmos, porque senão não saímos da velocidade nula é uma das verdades que Newton, um cientista natural, notou e que se aplica muito mais as ciências socias. Ou estamos em contínuo movimento impulsionado por forças além de nós, ou ficamos na estaca zero.  
E aí surge a problemática do movimento incansavelmente repetitivo. E a tendência é piorar. A não ser que você seja um daqueles chatos extremamente meticulosos e apegados a mesmices, e goste disso. Em um certo ponto tenho uma característica em comum com essas pessoas, sou bem chata (Já que nunca me comprometi a ser uma pessoa mais legal e melhor no meu círculo social, que assim seja. Sou chata e com muito orgulho disso). Parênteses à parte, a rotina de todo não me agrada muito. Também, difícil encontrar algo que me agrade completamente.  Enfim, o que quero dizer é que as rédeas das nossas vidas não podem estar completamente fora do nosso alcance. O desejo de mudança é, geralmente, acompanhado de receio. Mas é bom desconfiar das coisas, do futuro, das ações...
Costumo dizer que pessoas sem dúvidas e firmadas em verdades absolutas morreram e ainda não têm a consciência desse triste fato. Dúvida, o combustível para a mudança. O pior inimigo da ignorância. Duvidar faz bem, é saudável e altamente recomendado (por mim). Aproveitem o fato de sermos humanos e termos o benefício da não certeza e inquietação. Pobres são aqueles que desfrutam da paz que só as verdades absolutas proporcionam.

(Não me responsabilizo por eventuais erros nas minhas menções sobre física, eu curso jornalismo)

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

5 dias de domingo


Crônica feita hoje para minha aula de técnicas de comunicação.

Queria começar esse texto contando algo divertido que tivesse acontecido comigo nessa semana. Contudo, como transformar algo decepcionante em relativamente engraçado? Alguns diriam que isso é praticamente impossível, outros achariam graça só pelo fato da desgraça ter acontecido com outra pessoa (ah, diariamente me deparo com a desgraça pelos corredores da minha adorada faculdade).

Começarei então fazendo um breve resumo da minha semana: Passei belos cinco dias úteis deprimida e ouvindo The Smiths (uso recorrentemente a palavra “deprimida” como algo genérico, não sofro necessariamente de algum transtorno que me faça constantemente triste e cabisbaixa). O que mais me irrita nesses dias nublados é a alegria exagerada das outras pessoas. Por que todo mundo tem a obrigação de ser feliz o tempo todo? Você não pode passar em paz por um dia ruim, que logo perguntam o que aconteceu. Quando a resposta que se dá é “prefiro não falar sobre isso, depois eu melhoro”, conclusões precipitadas são logo tiradas. “Mas nós somos amigas!” ou “pensei que você confiasse em mim” foram duas frases desnecessariamente ouvidas ao longo desse final de agosto. Então, creio que esse pequeno texto trate-se de um apelo: Deixem as pessoas viverem a fossa delas em paz!

Ser diariamente sorridente e de bem com a vida é algo extremamente irritante para aqueles, que como eu, eventualmente acordam de mau humor. “Sorria, você está sendo filmado” é uma ótima frase para elevadores, mas não a leve tão a sério. 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Mau humor


Acho que ouço diariamente alguém dizer "Raíssa, você é muito dramática, deixa disso". Mas encarecidamente peço que me digam por que a vida insiste em jogar as coisas na minha cara da pior maneira possível. Se for pra dar errado, não dá simplesmente errado. O destino, a vida, os astros, qualquer merda do tipo, conspira para que tudo aconteça da pior forma. 

É exagero? Vou lhes contar uma história banal do dia-a-dia. Geralmente eu saio de casa atrasada para a faculdade (não importa se eu acordo cedo, programo a roupa que vou vestir ou saio até mesmo sem comer, acabo saindo atrasada). Me desloquei até o ponto do 439, ônibus de ótima categoria, nunca é quente demais e muito menos cheio, como um bom exemplo de transporte público do Rio de Janeiro, e saltei no meu ponto. Após ficar quase 40 minutos em pé dentro de uma lata de sardinha abafada pelo calor infernal carioca, saio do ônibus como quem pisa em terra firme pela primeira vez em anos. E... Dou a topada do ano numa pedra! Eu estava de rasteirinha, foi a 1ª vez no ano em que saí de rasteirinha. Ah, era um dos meus primeiros dias de aula na faculdade e eis que chego com o pé sangrando. Uma história banal, não acham? Mas infelizmente esses fatos corriqueiros estão carregados de certo drama pessoal e apelo ao meu pessimismo.

 Quando acontecem coisas do tipo com outras pessoas, talvez elas não tenham essa cara. Talvez outra pessoa topasse o dedão na pedra e falasse "como sou idiota, vivo me machucando kakakaaka". Porém, quando se trata de um dos meus comentários, é normal ouvir: "Droga de dia. A porcaria do meu dedão ta sangrando, fiquei menstruada hoje de manhã, perdi o ônibus e ainda to com essa droga de blusa que furou vindo pra cá. Merda de dia. Tem tylenol? Minha cabeça começou a doer”.

O lado bom é que isso acrescenta algum humor a vida bonitinha em que tudo dá certo daquele meu amigo que gosta de me zoar. E se eu não acrescentei nada? Meu dia ta muito ruim para ainda me dar o trabalho de lhe agradar.

domingo, 19 de agosto de 2012

Palavras não formam bons títulos


Como já disse anteriormente, e agora tenho a plena capacidade de repetir, se palavras fossem suficientes seriam quaisquer coisas, menos palavras. Delas surgiriam qualquer combinação, menos fonemas, letras ou variantes. Se palavras fossem o suficiente, não se chamariam palavras.

Hoje dormirei com o cheiro que não é meu. Que, na verdade, nunca foi e nunca será. Hoje, das minhas incertezas surgiu o que sempre soube. Salgadas foram as minhas palavras, tal como as minhas lágrimas.

Por que esperar o certo da incerteza que nem ao menos cabe a mim? Mas mesmo assim ainda sinto a pendência dentro da minha sempre inquieta alma. Seria eu o assombramento de meus piores pesadelos? Ou seria eu apenas um ser humano tentando buscar felicidade na incerteza?

Tenho uma breve teoria de que o incerto não existe. No fundo, temos completa certeza daquilo que queremos. Se há dúvida, ela se faz porque achamos que podemos querer outra coisa.
Mas, quem quer ser outra coisa de um alguém? Ninguém que tenha o mínimo de amor próprio. Ninguém quer fazer parte de uma incerteza.

“E se eu for o primeiro a prever e poder desistir do que for dar errado?"
Aí, não poderei ser eu. Não estarei na função de ser humano. Pois, a nós, cabe a função de errar, errar mais uma vez e depois aprender alguma coisa. A nós, cabe o destino de estar completamente imerso ao que pode, e muitas vezes deve dar errado.
Tudo começa com um prazo de validade, porém algumas coisas são fadadas ao fracasso.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Psiquê e Eros



Dentre tantas histórias que eu amo e fazem parte da mitologia grega, a de Eros e Psiquê é de longe a minha preferida.
E Psiquê, pode até fazer um monte de bobagens no seu caminho para conquistar Eros , mas acho que ela representa muito o que o ser humano é. Pois ela erra, sofre, tenta se corrigir, ouve até mesmo os conselhos de outros para tentar alcançar sua tão sonhada felicidade ao lado de seu amado. E por mais que esteja sempre caindo e até mesmo pensando em desistir da vida, toma seu sofrimento como impulso para prosseguir.
Acredito que um personagem assim não tenha saído na imaginação de um povo, mas seja uma representação do que somos e do que tentamos fazer para dar sentido a nossas vidas.  E por mais rica em personagens que a mitologia grega seja, Psiquê sempre será a minha preferida.

Aqui vai um trecho que eu acho muito interessante sobre o significado do nome "psiquê":
"Em grego 'psiquê' significa tanto 'borboleta' como 'alma'. Uma alegoria a imortalidade da alma, como a borboleta que depois de uma vida rastejante como lagarta, flutua na brisa do dia e torna-se um belo aspecto da primavera. É considerada a alma humana purificada pelos sofrimentos e preparada para gozar a pura e verdadeira felicidade."

A história para aqueles que não a conhecem: http://www.angelfire.com/la/psique/mito.html