"... Mas ainda que neste outono as folhas
de cerejeira sejam tingidas de amarelo ou vermelho e acabem caindo, é errado
pensar que com isso a própria vida da cerejeira tenha acabado, ou que a vida da
própria cerejeira pereceu na imundície da terra. Enquanto existir vida da
cerejeira, infalivelmente chega a primavera, ainda que todas as folhas
fenomênicas tenham caído e a árvore apresente uma cena triste, desoladora. A
verdadeira cerejeira não são as folhas, nem seu tronco. A verdadeira cerejeira
é sua própria vida, invisível. Ainda que seu tronco e sua raiz acabem
secando-se e sejam consumidos como lenha, enquanto existir a vida da cerejeira,
em algum lugar ela tornará a brotar, desenvolver-se-ão seu tronco, ramos,
folhas e um dia as flores voltaram a desabrochar magnificamente." (TANIGUCHI, M. - Jovens: A
verdade - pg. 76)
Não é mais um clichê
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Quando o céu toca o chão
Sei bem que a expressão “acordar com o pé esquerdo” é usada para
caracterizar um dia em que tudo dá errado. Enviarei
futuramente uma sugestão para a Academia Brasileira de Letras para que haja uma
graduação dessa comum expressão, como se fosse uma espécie de grau superlativo.
Eu poderia sugerir algo como “Estamos operando para o melhor funcionamento do
seu lado direito hoje, por favor, aguarde e enquanto isso utilize todo o seu
lado esquerdo, assim, tudo dará errado e você terá um péssimo dia. Obrigado,
cérebro”. Creio que esse termo seriado mais adequado em dadas situações do
cotidiano. Por exemplo, criem uma imagem hipotética, (apenas hipotética, não
necessariamente teria que acontecer na vida real – mentira) de semana de provas
e acrescentem falta de luz, brigas, trânsito caótico, fila do elevador, 6
andares de escada para serem desbravados com pouca propensão para atividades
físicas e abordagem de professores no banheiro. Pronto, bem-vindos a uma
terça-feira chuvosa em que tudo, ou quase tudo deu errado.
Acho que depois de
finalmente ter conseguido cumprir com meus objetivos e tarefas, devo ter tido alguma
uma espécie de sobrecarga de adrenalina, se é que isso existe. No mundo em que
a única questão que não pode cair na prova cai mesmo assim, que chove e te
deixa com frio na Sibéria carioca vulgarmente chamada de Gávea, que a alergia
ataca e te torna mais nervosa; ainda existe finais de tarde magníficos capazes de
fazer tudo evaporar, tal como a água na chuva que a pouco havia inundado o
meu dia.
Finais de tarde na Lagoa, em que o Sol te abraça, o ônibus
demora a passar e o modo aleatório do ipod escolhe as melhores músicas
possíveis, te fazem ver que a vida não é um emaranhado drama mexicano e andares
infinitos a serem subidos de escada. A vida também é ‘let it be’ no ônibus
cheio. E te diz, como na canção, palavras de sabedoria sobre deixar as coisas
como estão e aproveitar a viagem de volta pra casa.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Sobre a certeza da incerteza
A
maioria das pessoas que dizem estar perdendo o controle de suas próprias vidas
ou são velhas, ou frustradas ou os dois. A ideia de 'eu só vivo a rotina, nada
a mais, nada a menos que isso' me parece algo voltado apenas para quem não
gosta lá muito de viver. Mas e quando essa experiência exterior a você se torna
algo pessoal? Eu sei que esse sentimento de inutilidade perante o mundo não é
algo particular, mas a maneira que você age em relação a ele é.
Acordar,
comer, manter conversas pouco agradáveis, estudar, pegar ônibus lotado, ouvir as
mesmas bandas... Todos os dias são exatamente assim. É tão mais fácil
simplesmente continuar fazendo as coisas! Como disse um dos meus trocentos
professores da faculdade, 'rotina é algo que deu certo e por isso repetimos'.
Mas e o que pode dar certo e não está claro e explícito? Por que somos tão
aversos a mudanças?
Nunca
acreditei muito nas leis da física. Aliás, acho Newton um dos caras que mais
ferrou com a minha vida (pior até que os meus ex-peguetes do mal). Mas, preciso
mesmo com toda a minha ignorância no que diz respeito as leis da física,
concordar com esse bastardo maldito. Inércia - é sobre isso que esse pequeno texto se trata.
A maneira como precisamos de um ‘empurrãozinho’ para nos movimentarmos, porque
senão não saímos da velocidade nula é uma das verdades que Newton, um cientista
natural, notou e que se aplica muito mais as ciências socias. Ou estamos em
contínuo movimento impulsionado por forças além de nós, ou ficamos na estaca
zero.
E
aí surge a problemática do movimento incansavelmente repetitivo. E a tendência
é piorar. A não ser que você seja um daqueles chatos extremamente meticulosos e
apegados a mesmices, e goste disso. Em um certo ponto tenho uma característica
em comum com essas pessoas, sou bem chata (Já que nunca me comprometi a ser uma
pessoa mais legal e melhor no meu círculo social, que assim seja. Sou chata e
com muito orgulho disso). Parênteses à parte, a rotina de todo não me agrada
muito. Também, difícil encontrar algo que me agrade completamente. Enfim, o que quero dizer é que as rédeas das
nossas vidas não podem estar completamente fora do nosso alcance. O desejo de
mudança é, geralmente, acompanhado de receio. Mas é bom desconfiar das coisas,
do futuro, das ações...
Costumo
dizer que pessoas sem dúvidas e firmadas em verdades absolutas morreram e ainda
não têm a consciência desse triste fato. Dúvida, o combustível para a mudança.
O pior inimigo da ignorância. Duvidar faz bem, é saudável e altamente
recomendado (por mim). Aproveitem o fato de sermos humanos e termos o benefício
da não certeza e inquietação. Pobres são aqueles que desfrutam da paz que só as
verdades absolutas proporcionam.
(Não me responsabilizo por eventuais erros nas minhas menções sobre física, eu curso jornalismo)
(Não me responsabilizo por eventuais erros nas minhas menções sobre física, eu curso jornalismo)
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
5 dias de domingo
Crônica feita hoje para minha aula de técnicas de comunicação.
Queria começar esse texto contando algo divertido que
tivesse acontecido comigo nessa semana. Contudo, como transformar algo
decepcionante em relativamente engraçado? Alguns diriam que isso é praticamente
impossível, outros achariam graça só pelo fato da desgraça ter acontecido com
outra pessoa (ah, diariamente me deparo com a desgraça pelos corredores da minha
adorada faculdade).
Começarei então fazendo um breve resumo da minha semana:
Passei belos cinco dias úteis deprimida e ouvindo The Smiths (uso
recorrentemente a palavra “deprimida” como algo genérico, não sofro
necessariamente de algum transtorno que me faça constantemente triste e
cabisbaixa). O que mais me irrita nesses dias nublados é a alegria exagerada
das outras pessoas. Por que todo mundo tem a obrigação de ser feliz o tempo
todo? Você não pode passar em paz por um dia ruim, que logo perguntam o que
aconteceu. Quando a resposta que se dá é “prefiro não falar sobre isso, depois
eu melhoro”, conclusões precipitadas são logo tiradas. “Mas nós somos amigas!”
ou “pensei que você confiasse em mim” foram duas frases desnecessariamente
ouvidas ao longo desse final de agosto. Então, creio que esse pequeno texto
trate-se de um apelo: Deixem as pessoas viverem a fossa delas em paz!
Ser diariamente sorridente e de bem com a vida é algo
extremamente irritante para aqueles, que como eu, eventualmente acordam de mau
humor. “Sorria, você está sendo filmado” é uma ótima frase para elevadores, mas
não a leve tão a sério.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Mau humor
Acho que ouço diariamente alguém dizer "Raíssa, você é muito
dramática, deixa disso". Mas encarecidamente peço que me digam por que a
vida insiste em jogar as coisas na minha cara da pior maneira possível. Se for
pra dar errado, não dá simplesmente errado. O destino, a vida, os astros,
qualquer merda do tipo, conspira para que tudo aconteça da pior forma.
É exagero? Vou
lhes contar uma história banal do dia-a-dia. Geralmente eu saio de casa
atrasada para a faculdade (não importa se eu acordo cedo, programo a roupa que
vou vestir ou saio até mesmo sem comer, acabo saindo atrasada). Me desloquei
até o ponto do 439, ônibus de ótima categoria, nunca é quente demais e muito
menos cheio, como um bom exemplo de transporte público do Rio de Janeiro, e
saltei no meu ponto. Após ficar quase 40 minutos em pé dentro de uma lata de
sardinha abafada pelo calor infernal carioca, saio do ônibus como quem pisa em
terra firme pela primeira vez em anos. E... Dou a topada do ano numa pedra! Eu
estava de rasteirinha, foi a 1ª vez no ano em que saí de rasteirinha. Ah, era
um dos meus primeiros dias de aula na faculdade e eis que chego com o pé
sangrando. Uma história banal, não acham? Mas infelizmente esses fatos
corriqueiros estão carregados de certo drama pessoal e apelo ao meu pessimismo.
Quando acontecem coisas do tipo com outras pessoas, talvez elas não tenham essa cara. Talvez outra pessoa topasse o dedão na pedra e falasse "como sou idiota, vivo me machucando kakakaaka". Porém, quando se trata de um dos meus comentários, é normal ouvir: "Droga de dia. A porcaria do meu dedão ta sangrando, fiquei menstruada hoje de manhã, perdi o ônibus e ainda to com essa droga de blusa que furou vindo pra cá. Merda de dia. Tem tylenol? Minha cabeça começou a doer”.
Quando acontecem coisas do tipo com outras pessoas, talvez elas não tenham essa cara. Talvez outra pessoa topasse o dedão na pedra e falasse "como sou idiota, vivo me machucando kakakaaka". Porém, quando se trata de um dos meus comentários, é normal ouvir: "Droga de dia. A porcaria do meu dedão ta sangrando, fiquei menstruada hoje de manhã, perdi o ônibus e ainda to com essa droga de blusa que furou vindo pra cá. Merda de dia. Tem tylenol? Minha cabeça começou a doer”.
O lado bom é que
isso acrescenta algum humor a vida bonitinha em que tudo dá certo daquele meu
amigo que gosta de me zoar. E se eu não acrescentei nada? Meu dia ta muito ruim
para ainda me dar o trabalho de lhe agradar.
domingo, 19 de agosto de 2012
Palavras não formam bons títulos
Como já disse anteriormente, e agora tenho a plena capacidade de
repetir, se palavras fossem suficientes seriam quaisquer coisas, menos
palavras. Delas surgiriam qualquer combinação, menos fonemas, letras ou
variantes. Se palavras fossem o suficiente, não se chamariam palavras.
Hoje dormirei com
o cheiro que não é meu. Que, na verdade, nunca foi e nunca será. Hoje, das
minhas incertezas surgiu o que sempre soube. Salgadas foram as minhas palavras,
tal como as minhas lágrimas.
Por que esperar o
certo da incerteza que nem ao menos cabe a mim? Mas mesmo assim ainda sinto a
pendência dentro da minha sempre inquieta alma. Seria eu o assombramento de
meus piores pesadelos? Ou seria eu apenas um ser humano tentando buscar felicidade
na incerteza?
Tenho uma breve
teoria de que o incerto não existe. No fundo, temos completa certeza daquilo
que queremos. Se há dúvida, ela se faz porque achamos que podemos querer outra
coisa.
Mas, quem quer ser
outra coisa de um alguém? Ninguém que tenha o mínimo de amor próprio. Ninguém
quer fazer parte de uma incerteza.
“E se eu for o
primeiro a prever e poder desistir do que for dar errado?"
Aí, não poderei
ser eu. Não estarei na função de ser humano. Pois, a nós, cabe a função de
errar, errar mais uma vez e depois aprender alguma coisa. A nós, cabe o destino
de estar completamente imerso ao que pode, e muitas vezes deve dar errado.
Tudo começa com um
prazo de validade, porém algumas coisas são fadadas ao fracasso.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Psiquê e Eros
Dentre tantas histórias que eu amo e fazem parte da mitologia grega, a de Eros e Psiquê é de longe a minha preferida.
E Psiquê, pode até fazer um monte de bobagens no seu caminho para conquistar Eros , mas acho que ela representa muito o que o ser humano é. Pois ela erra, sofre, tenta se corrigir, ouve até mesmo os conselhos de outros para tentar alcançar sua tão sonhada felicidade ao lado de seu amado. E por mais que esteja sempre caindo e até mesmo pensando em desistir da vida, toma seu sofrimento como impulso para prosseguir.
Acredito que um personagem assim não tenha saído na imaginação de um povo, mas seja uma representação do que somos e do que tentamos fazer para dar sentido a nossas vidas. E por mais rica em personagens que a mitologia grega seja, Psiquê sempre será a minha preferida.
Aqui vai um trecho que eu acho muito interessante sobre o significado do nome "psiquê":
"Em grego 'psiquê' significa tanto 'borboleta' como 'alma'. Uma alegoria a imortalidade da alma, como a borboleta que depois de uma vida rastejante como lagarta, flutua na brisa do dia e torna-se um belo aspecto da primavera. É considerada a alma humana purificada pelos sofrimentos e preparada para gozar a pura e verdadeira felicidade."
A história para aqueles que não a conhecem: http://www.angelfire.com/la/psique/mito.html
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