domingo, 19 de agosto de 2012

Palavras não formam bons títulos


Como já disse anteriormente, e agora tenho a plena capacidade de repetir, se palavras fossem suficientes seriam quaisquer coisas, menos palavras. Delas surgiriam qualquer combinação, menos fonemas, letras ou variantes. Se palavras fossem o suficiente, não se chamariam palavras.

Hoje dormirei com o cheiro que não é meu. Que, na verdade, nunca foi e nunca será. Hoje, das minhas incertezas surgiu o que sempre soube. Salgadas foram as minhas palavras, tal como as minhas lágrimas.

Por que esperar o certo da incerteza que nem ao menos cabe a mim? Mas mesmo assim ainda sinto a pendência dentro da minha sempre inquieta alma. Seria eu o assombramento de meus piores pesadelos? Ou seria eu apenas um ser humano tentando buscar felicidade na incerteza?

Tenho uma breve teoria de que o incerto não existe. No fundo, temos completa certeza daquilo que queremos. Se há dúvida, ela se faz porque achamos que podemos querer outra coisa.
Mas, quem quer ser outra coisa de um alguém? Ninguém que tenha o mínimo de amor próprio. Ninguém quer fazer parte de uma incerteza.

“E se eu for o primeiro a prever e poder desistir do que for dar errado?"
Aí, não poderei ser eu. Não estarei na função de ser humano. Pois, a nós, cabe a função de errar, errar mais uma vez e depois aprender alguma coisa. A nós, cabe o destino de estar completamente imerso ao que pode, e muitas vezes deve dar errado.
Tudo começa com um prazo de validade, porém algumas coisas são fadadas ao fracasso.

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