Como já disse anteriormente, e agora tenho a plena capacidade de
repetir, se palavras fossem suficientes seriam quaisquer coisas, menos
palavras. Delas surgiriam qualquer combinação, menos fonemas, letras ou
variantes. Se palavras fossem o suficiente, não se chamariam palavras.
Hoje dormirei com
o cheiro que não é meu. Que, na verdade, nunca foi e nunca será. Hoje, das
minhas incertezas surgiu o que sempre soube. Salgadas foram as minhas palavras,
tal como as minhas lágrimas.
Por que esperar o
certo da incerteza que nem ao menos cabe a mim? Mas mesmo assim ainda sinto a
pendência dentro da minha sempre inquieta alma. Seria eu o assombramento de
meus piores pesadelos? Ou seria eu apenas um ser humano tentando buscar felicidade
na incerteza?
Tenho uma breve
teoria de que o incerto não existe. No fundo, temos completa certeza daquilo
que queremos. Se há dúvida, ela se faz porque achamos que podemos querer outra
coisa.
Mas, quem quer ser
outra coisa de um alguém? Ninguém que tenha o mínimo de amor próprio. Ninguém
quer fazer parte de uma incerteza.
“E se eu for o
primeiro a prever e poder desistir do que for dar errado?"
Aí, não poderei
ser eu. Não estarei na função de ser humano. Pois, a nós, cabe a função de
errar, errar mais uma vez e depois aprender alguma coisa. A nós, cabe o destino
de estar completamente imerso ao que pode, e muitas vezes deve dar errado.
Tudo começa com um
prazo de validade, porém algumas coisas são fadadas ao fracasso.
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